terça-feira, 6 de maio de 2008

Recordar é viver: A primeira webcam

O ano era 1991. O local, o laboratório de informática da Universidade de Cambridge, na Inglaterra. Cansados de descer até a sala do café e encontrar a cafeteira vazia, um grupo de hackers decidiu inovar: Utilizando uma placa de captura de vídeo, uma câmera e um computador Acorn Archimedes (eu também nunca ouvi falar) rodando UNIX, montaram um servidor que capturava uma imagem por segundo e a enviava para clientes rodando em outras máquinas pela rede da Universidade. Assim quem queria café podia olhar a janelinha no X-Windows, rodando o xcoffee, verificar se ainda havia algum na cafeteira, descer as escadas correndo e encher a caneca.

A imagem eram um grayscale, 128x128 pixels, e em 1991 era mais que suficiente para gerar um "UAU!".

Mais tarde, com a popularização da World Wide Web, o sistema foi migrado, e passou a ser acessível de qualquer máquina na Internet, em 1993, tendo inclusive uma página oficial. A câmera ficou no ar até 22/8/2001, quando foi desligada de vez. Rendeu matéria na Wired, Guardian e vários outros jornais.

Incrível é que a primeira webcam foi uma webcam ÚTIL, mas a primeira webcam de sacanagem foi a inesquecível JenniCam.

Jennifer Kaye Ringley tinha 19 aninhos quando resolveu experimentar (não com uma amiga, como é normal, mas com a Internet) e instalou uma câmera em seu computador. Era 1996. Até então "webcam" era sinônimo de paisagens chatas e estáticas. Jennifer transmitia sua vida. A normal, comum e mundana vida de uma estudante de 20 anos. Com direito a brigas, choros, sexo (com ou sem parceiros).

Sem banners, popups, programas maliciosos, ela sustentava o site com um acesso pago, cobrando US$15,00 por ano de seus membros. Ela chegou a uma audiência de 3 ou 4 milhões de visitantes/dia.

Com o dinheiro que ganhou, se mudou para um apartamento grande, colocou 4 câmeras espalhadas pela casa, apareceu em programas como o David Letterman (mas a MULA do Letterman deu o endereço do site errado) e foi capa ou matéria de mais de 100 revistas e jornais.

Jennifer não era nenhuma modelo. Cheinha, meio sem-graça, na rua não valeria uma segunda olhada, mas ao expor sua vida na Internet ela se tornou "cúmplice" de milhões de visitantes, e não faltaram propostas, das mais indecentes às mais inacreditáveis. Mas não, ela preferiu roubar o noivo de uma amiga quando ele a ajudou na mudança para a Califórnia. Ah, Jenni... inovadora até nisso, o primeiro barraco online.

Enquando a Endemol nem pensava em reality shows, os termos *cast ainda não existiam, Jennifer já fazia LifeCast, reality show, experimentos sociais, etc, etc.

O site há muito está fora do ar, ela o fechou em 31/12/2003, mas se você quiser (cuidado, há imagens dela pelada) é possível acessar através da Wayback Machine.

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